Capa › Série: O Caos Como Método • Ep. 4
Chile 1981: PIB de +6,7% para −11,1% e o que a aposentadoria privada realmente entregou
Estudo da Fundación SOL com dados de 2023 mostra que metade dos novos aposentados chilenos autofinanciou menos de 91 mil pesos mensais diante de um salário mínimo de 460 mil.
Noventa e um mil pesos chilenos contra quatrocentos e sessenta mil. Esse é o retrato numérico da capitalização individual na previdência chilena, segundo levantamento da Fundación SOL publicado em 2024 com base nos dados oficiais de 2023.
O que os números mostram — sem distorção
No estudo da Fundación SOL, metade das pessoas que se aposentaram em 2023 conseguiu financiar, com a própria poupança acumulada nas AFPs (Administradoras de Fundos de Pensão), menos de 91 mil pesos mensais — valor comparado no estudo ao salário mínimo chileno de 460 mil pesos daquele período.
Rigor editorial exige precisão: esses 91 mil pesos referem-se à parcela autofinanciada (não é a renda total com a ajuda do Estado). Mesmo entre trabalhadores que contribuíram por 30 a 35 anos, metade autofinanciou menos de 196 mil pesos mensais.
O laboratório chileno: de 1975 a 1982
Na série documental O Caos Como Método, separamos rigorosamente cada momento histórico com base nos dados da CEPAL:
• Em 1973, em meio a uma crise econômica aguda, a inflação chegou a 508,1% com queda de 5,0% do PIB.
• Em 1975, já sob o tratamento de choque dos Chicago Boys na ditadura Pinochet, o PIB despencou −13,0% com inflação de 340,7%.
• Em 1981, ano em que o sistema privado de previdência começou a operar, o PIB cresceu +6,7%, mas foi seguido em 1982 por uma contração severa de −11,1%.
"Melhorar a previdência pública é necessário, mas mudança sem projeto não é garantia de melhora. Antes de trocar a proteção solidária por uma promessa de capitalização individual, a pergunta obrigatória é: quem assume o risco e quem fica com a comissão?"